Depois
de meses de especulação, o Walmart passou para frente sua operação no Brasil.
Foi anunciado que o fundo de investimentos de private equity Advent
International (grupo que administra negócios em 14 países, no Brasil administra também os negócios da Estácio Participações e Grupo Fortbras) passa a ser a nova controladora dos ativos da multinacional no
país, com 80% de participação. O grupo ocupa o terceiro lugar entre as maiores
redes de varejo em terras brasileiras; e, no ano passado, faturou R$ 28,187
milhões, segundo ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O
Carrefour ficou na liderança, seguido do Grupo Pão de Açúcar (GPA).
Presente
no Brasil há 22 anos, o Walmart tem 438 lojas em 18 estados. Com o novo acordo,
o grupo ficará com 20% de participação no negócio. O valor da negociação foi de 8 bilhões de reais. Vivendo, de início, um crescimento rápido alavancado por
aquisições de concorrentes, a companhia passou a ter dificuldades e registrou
seguidos prejuízos operacionais no Brasil.
Enquanto
enfrentava problemas, seus dois concorrentes diretos, GPA e Carrefour, melhoram
suas performances e, assim, minimizaram os efeitos dos dois anos consecutivos
de recessão que o país enfrentou. Alexandre van Beeck, sócio-diretor da
GS&Consult, acredita que parte dos problemas do Walmart no Brasil tenha
vindo da dificuldade de encontrar seu espaço em duas frentes, que têm se
expandido nos últimos anos no varejo local: o atacarejo e as pequenas lojas de
bairro.
Esses
modelos de negócio vêm esvaziando o papel dos hipermercados. Tanto é assim que
o Carrefour, por exemplo, acelerou as inaugurações da bandeira Express, ao
passo que o GPA fez a conversão de algumas de suas unidades da rede Extra para
o Assaí. “Com a recessão dos últimos anos, quem não tinha uma operação bem
estruturada acabou deixando as ineficiências mais evidentes. Foi o caso do
Walmart”, explica Alexandre Beeck. O especialista lembra ainda que no Brasil o
grupo americano não conseguiu dar relevância à sua operação digital, enquanto
que o GPA tem feito um bom casamento entre o canal físico e o on-line. Alexandre
Beeck acredita que a Advent International vai procurar agir rápido na operação
do Walmart. “No começo deve haver um grande choque de gestão, de olho,
principalmente, na melhoria dos resultados. Depois eles devem pensar em novos
formatos de negócio para o longo prazo”, opina.
O
executivo Patrice Etlin, da Advent Internacional, sinalizou, em nota divulgada
ao mercado, que o objetivo do fundo é buscar resultado. “Com nosso conhecimento do mercado local e
expertise em varejo, poderemos posicionar a empresa para gerar resultados
expressivos e alcançar novos patamares de sucesso no Brasil. Planejamos investir
no negócio e trabalhar com a equipe da empresa para criar um ambiente mais ágil
e moderno, a fim de acelerar o seu desenvolvimento e melhorar a experiência do
consumidor.” Desde que chegou no Brasil, em 1997, o fundo investiu em cerca de
30 empresas. Seus negócios estão espalhados por 14 países.
Também
por meio de nota, Enrique Ostale, CEO do Walmart para as regiões do Reino
Unido, América Latina e África, explicou superficialmente como a matriz deve se
manter no negócio. “Manteremos participação no Walmart Brasil e continuaremos
compartilhando nossa experiência global em varejo, dando ao nosso negócio no
Brasil a melhor oportunidade de crescimento de longo prazo, proporcionando
oportunidades para nossa equipe e preços baixos para os clientes”, informou.
O
Walmart informou ainda que deve registrar nos Estados Unidos perda líquida sem
efeito em caixa de aproximadamente US$ 4,5 bilhões, que será registrada no
segundo trimestre como item extraordinário. Parte relevante dessa perda será
pelo reconhecimento de perdas acumuladas de conversão de moeda estrangeira,
além de alterações nas taxas de câmbio até a data do fechamento.
Para
Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de
Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), o Walmart tropeçou no Brasil ao não
conseguir gerar grande volume de vendas e, com isso, perdeu espaço para GPA e
Carrefour. “Ele nunca conseguiu encontrar uma posição no mercado, enquanto os
concorrentes avançaram. Junta-se a isso, o fato de a crise econômica ter se
agravado e piorado ainda mais a sua situação. Com isso, acumulou prejuízos no
país”, analisa.
Apesar
de em negócios com fundos, como no caso da Advent, o objetivo quase sempre seja
o de melhorar a operação da empresa adquirida para vendê-la por um preço melhor
com o passar do tempo, no caso do Walmart, o presidente do Ibevar não é tão
otimista. “O fundo acredita na possibilidade de recuperação desse mercado, mas
tenho minhas dúvidas se isso ocorrerá”, opina. Isso porque, segundo Felisoni,
não apenas os dois maiores competidores do varejo nacional estão bem
consolidados, mas também porque as redes menores, com atuação regional, seguem
bem estabelecidas em suas praças.
Fonte: com correiobraziliense.com.br

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